DEMISSÃO? Um olhar sobre a geração Z no mercado de trabalho
- Nayara Bolognesi
- 14 de mai. de 2025
- 3 min de leitura

Os jovens estão sendo demitidos com cada vez mais frequência, segundo dados recentes.
As razões mais citadas são: falta de motivação, comunicação insuficiente, ausência de profissionalismo, dificuldades com feedback e pouca habilidade para resolver problemas. Os debates sobre a geração Z no mercado de trabalho envolvem não apenas questões de comportamento, mas também falhas estruturais nas empresas.
Como parte da geração Z e profissional com experiência em diferentes setores, trago aqui um contraponto a esses argumentos. Se há dificuldades na adaptação de profissionais jovens, talvez o problema não esteja apenas do lado da geração.
Afinal, o que motiva a geração Z?
Um ponto muito citado como problema é a falta de motivação e iniciativa por parte dessa geração. Mas vamos ser sinceros: a motivação vem da reciprocidade. Muitos de nós vimos nossos pais se dedicarem às suas carreiras, sacrificando horas pessoais e familiares, e em troca receberam estabilidade precária, demissões e desgaste emocional.
Aprendemos desde cedo que o discurso de “sermos uma família” dentro das empresas é, em muitos casos, uma armadilha.
Para nossa geração, a motivação é clara e pragmática. Dinheiro no bolso e propósito são a verdadeira base motivacional – e, para muitos, isso não está mais limitado àquela promoção ao fim de longos anos de lealdade. Se não encontramos isso em um emprego, procuramos alternativas, seja criando nossos próprios negócios, gerando renda online ou explorando mercados mais dinâmicos e independentes. Hoje, oportunidades existem além do emprego tradicional.
Quer ver a geração Z motivada? Ofereça propósito, valores compartilhados e um plano de carreira realista – e, claro, uma compensação justa.
Comunicação e inteligência emocional: uma questão de todas as gerações
Comunicação é uma habilidade desafiadora, sim, mas para todos, não apenas para a geração Z. Nos ambientes de trabalho, já presenciei e participei de conversas complexas com diferentes gerações, e a falta de inteligência emocional não é uma exclusividade dos jovens.
Muitos profissionais de outras gerações também enfrentam dificuldades em lidar com feedbacks e em entender o valor do criticismo construtivo. Quantas vezes a falta de clareza e empatia na comunicação compromete a performance e a integração entre equipes?
Terapia e desenvolvimento pessoal são caminhos que podem ajudar – mas são para todos. É preciso entender que feedback é uma ferramenta de crescimento e que a comunicação efetiva exige empatia e escuta ativa deveria ser um aprendizado coletivo.
Muitas vezes, a raiz do problema não está na geração em si, mas na cultura da empresa, que ainda resiste a práticas mais humanas e inclusivas.
Profissionalismo ou desumanização?
Outro ponto questionável é a cobrança de “profissionalismo”, especialmente quando este termo é usado como sinônimo de conformidade rígida. Mas o que significa ser profissional? Para alguns, é estar formalmente vestido, com uma postura sempre impecável e uniforme. Para a geração Z, isso é sinônimo de desumanização.
Eu, por exemplo, não vejo problema algum em trabalhar ouvindo uma música descontraída, me expressando de forma autêntica, mantendo minha própria identidade e, ainda assim, entregando resultados de qualidade.
A produtividade e o bem-estar andam de mãos dadas, e essa mentalidade deveria ser mais respeitada no ambiente de trabalho. Profissionalismo, na nossa visão, não é só sobre aparência, é sobre resultados, respeito e ética. A autenticidade no trabalho é parte do processo para criar ambientes mais produtivos e colaborativos.
Resolver problemas exige experiência e liderança empática
Para profissionais que estão iniciando suas carreiras, é natural que o processo de resolução de problemas ainda esteja em desenvolvimento. Somos jovens, e uma das maiores lições que a prática ensina é a habilidade de solucionar situações complexas.
Erros acontecem, especialmente nas fases iniciais, e é preciso reconhecer que a capacidade de resolver problemas se aprimora com a prática e com líderes dispostos a orientar.
Se a geração Z apresenta dificuldades nessa área, pode ser um reflexo de lideranças que não priorizam a mentoria e o desenvolvimento. Uma empresa que investe em bons líderes – aqueles que oferecem feedback, apoio e que entendem a curva de aprendizado dos jovens profissionais – terá equipes mais preparadas para enfrentar desafios e resolver problemas com confiança e autonomia.
Desafios e potencial da geração Z no mercado de trabalho
A geração Z pode não se adequar aos antigos padrões corporativos, mas isso não significa que faltem potencial ou compromisso. Somos uma geração que está disposta a inovar, a buscar resultados e a contribuir para a evolução das empresas.
Contudo, precisamos de ambientes de trabalho que sejam coerentes com os valores contemporâneos de flexibilidade, transparência e respeito. Se as empresas estão enfrentando dificuldades em integrar a geração Z, é hora de refletir: será que estamos diante de um problema de geração, ou de cultura organizacional?



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