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Entre o papel e o feed | O que o design editorial ensina sobre conteúdo digital

  • Foto do escritor: Nayara Bolognesi
    Nayara Bolognesi
  • 13 de jun. de 2025
  • 5 min de leitura

Atualizado: 4 de ago. de 2025

Uma jornada pessoal e profissional através do design editorial


Em um mundo dominado por feeds acelerados, métricas e alcance instantâneo, redescobri um prazer antigo: diagramar. Mas não é apenas nostalgia, é uma terapia criativa que me lembra o valor da intenção por trás de cada linha, coluna e imagem. E, mais do que isso, se tornou um diferencial profissional.


Nos últimos anos, essa paixão me levou a três projetos muito queridos: Catwalk, Direção e, mais recentemente, ELLAS. Projetados inicialmente como trabalhos universitários ou hobbies, esses projetos se tornaram verdadeiras escolas.


Neles, fui muito além do estágio ou da tarefa curricular: produzi, escrevi, revisei, diagramei, contei histórias. Cada edição foi uma oportunidade única de unir estética, estratégia editorial e sensibilidade.


Minha evolução com o design editorial

Durante a faculdade de Jornalismo, tive contato com ferramentas como o InDesign, que aprendi a usar sozinha em 2016 e novamente me aprofundei em 2018, assistindo a tutoriais no YouTube. Passei horas experimentando margens, colunas, hierarquias visuais. Foi um mergulho revelador. 


Capas das revistas Direção e Catwalk apresentam temas sociais e moda sob um olhar crítico, com uso expressivo de design editorial.
📎 Clique para ver as revistas completas no meu portfólio: Direção | Catwalk 

Com o tempo, compreendi que a diagramação vai muito além de colocar elementos bonitos na página, trata-se de traduzir conteúdo em uma experiência visual envolvente, como usar títulos em caixa alta para guiar o olhar, margens generosas para dar respiro e colunas bem alinhadas para sustentar o ritmo da leitura.


Recebi nota máxima nas disciplinas em que me envolvi com projetos editoriais, como a Revista Direção, em que explorei profundamente o tema do Estado Islâmico e mais tarde com a Revista Catwalk, uma edição de moda voltada para um olhar contemporâneo e acessível.


Hoje, em 2025, enfrentei o desafio de diagramar a revista ELLAS usando o Canva, uma ferramenta mais acessível para pequenas equipes. O projeto foi idealizado por uma grande amiga, Sandra Cotrim, que conheci no nosso primeiro estágio durante a faculdade de Jornalismo — hoje, ela também atua com curadoria e produção de conteúdo com a mesma sensibilidade que inspirou esta edição.


Trabalhar com ela nessa edição foi como voltar às origens, mas com uma nova bagagem profissional. A revista discute o protagonismo feminino nos esportes, com dados relevantes, entrevistas, cases inspiradores e visuais planejados com intuição e cuidado. Criamos uma estética fluida e impactante, que dialoga com o conteúdo e amplifica as vozes das atletas retratadas.


Capa da revista ELLAS com a skatista Rayssa Leal, destacando o protagonismo feminino no esporte com foco em design editorial e impacto visual.
📎 Clique para ver a revista completa no portfólio: ELLAS

Esse aprendizado técnico se revelou ainda mais valioso quando percebi como ele afeta minha forma de ler e pensar o mundo.


Hobby que vira aprendizado de verdade

O toque, o cheiro e o movimento das páginas criam uma experiência multissensorial única, algo que o digital ainda não consegue replicar com a mesma intensidade. Esse impacto é ainda mais evidente em temas como moda e esporte, que envolvem o corpo, os sentidos e a estética. 


Não à toa, pesquisadores da Universidade de Stavanger destacam que a leitura em papel ativa estímulos sensoriais que favorecem a atenção, a imersão e a retenção de informações — dimensões muitas vezes diluídas nas telas.


Eu sentia isso toda vez que alinhava colunas na "Catwalk" ou organizava os fluxos visuais da "Direção". Mais do que estética, a diagramação me ensinou a modular narrativas: ritmo, respiro, fluidez, elementos que fazem falta nas timelines atropeladas do digital. 


Um exemplo disso é a alternância entre blocos de texto e imagens em uma revista, que permite pausas visuais e reforça o impacto da narrativa. Esse mesmo princípio pode ser aplicado a carrosséis no Instagram, onde cada slide deve ter um foco visual claro, como se fosse uma “página de respiro”.


Sendo assim, o ato de diagramar desenvolveu em mim um senso de organização visual e narrativa, características que hoje aplico em projetos de conteúdo interativo, branding e social media.


Diagramar: a arte silenciosa que molda o conteúdo

Diagramar se tornou o meu refúgio criativo. Em um tempo em que tudo é imediato, essa prática me reconecta com o ritmo, o cuidado e a curadoria. Estudos do Meio & Mensagem mostram que o impresso vive um renascimento de luxo — revistas como Elle e Capricho estão voltando justamente por entregarem experiências mais profundas e intencionais.

Capas das revistas Capricho e Elle mostram o renascimento do impresso com foco em estética e design editorial impactante.
Capricho e Elle resgatam o impresso em 2024/25

Mas, para mim, não é o papel que importa — é a mentalidade editorial. Quando mergulho nesse processo, não estou apenas "trabalhando"; estou aprimorando meu olhar para storytelling visual, ajustando o ritmo da leitura, refinando minha sensibilidade estética. Mesmo ao criar carrosséis para redes sociais ou roteiros de vídeo, levo comigo os mesmos princípios.


Aprendi, por exemplo, que decisões como a escolha tipográfica, a definição de hierarquia de informações, o uso de grids modulares e a variação de peso tipográfico são tão eficazes no digital quanto no impresso.


Esses elementos trazem clareza, fluidez e coerência visual, seja em revistas, e-books, carrosséis ou apresentações. É por isso que vejo o design editorial como uma base sólida para qualquer produção de conteúdo com propósito.


O digital também aprende com o impresso

As tendências do mercado confirmam: impresso e digital caminham juntos. Hoje, o mercado investe cada vez mais em impressos personalizados e conectados ao digital, com QR codes, realidade aumentada, experiências multimídia.


Isso me mostra que a diagramação é uma soft skill estratégica, mesmo em feeds. Saber guiar a atenção, incluir ritmo e criar hierarquia visual faz diferença em e-books, newsletters, carrosséis e apresentações. O pensamento editorial afina o olhar para a clareza e a empatia, características essenciais em tempos de excesso de informação.


Trabalhar com design editorial me ensinou a pensar o conteúdo como arquitetura. Cada bloco, cada título, cada espaço em branco tem função. E é essa mentalidade que aplico hoje em estratégias de conteúdo digital, branding e experiências visuais interativas.


Não é nostalgia, é diferencial

Quando alguém me pergunta se diagramar é "só um hobby", eu respondo com outra pergunta: E se esse hobby treinasse minha sensibilidade para o digital?

Hoje, isso se traduz em trabalho: posts mais legíveis, stories mais pensados, PDFs mais elegantes. Sem abandonar a performance, ganhei outra camada na comunicação, a estética com propósito.


Aprendi que um bom conteúdo não precisa ser apenas informativo — ele pode (e deve) ser bonito, equilibrado e fluido. Quando conseguimos unir forma e função, criamos conexões verdadeiras. Esse é, sem dúvida, o objetivo central da comunicação.

No fim das contas, diagramar não é sobre o papel. É sobre dar forma às ideias.


Se você também tem um hobby que acabou virando ferramenta de trabalho, compartilha comigo nos comentários — vou adorar conhecer!


Confira o meu portfólio de projetos editoriais e digitais: nayarabolognesi.wixsite.com/portfolio


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