IPCA, PIB e Selic modificam atividade econômica
- Nayara Bolognesi
- 27 de out. de 2017
- 3 min de leitura
Alterações nas projeções são reflexos da crise que acontece no país
Nessa semana aconteceu a penúltima reunião do ano do Comitê de Política Monetária (COPOM) que definiu a redução de 0,75% na Selic, taxa básica de juros brasileira. Essa variação fez com que a taxa fosse de 8,25% para 7,5%.
Desde 2012, o governo determinou que sempre quando a taxa Selic alcançar um patamar igual ou inferior a 8,5%, a poupança passa a render 70% da Selic mais Taxa Referencial (TR), alterando seu rendimento. Quando se encontra acima de 8,5%, a poupança rende um pouco mais: 0,5% ao mês mais TR. Por isso, essa queda muda as aplicações dos poupadores.

Imagem: Site Terra
A projeção lançada também atinge a inflação. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve alta, subindo de 3,06% para 4%. Os números ainda estão abaixo do centro da meta para o Banco Central que planeja chegar à 4,50%.
Segundo o analista de investimentos Vinícius Bazan, há uma relação entre IPCA e Selic. “O IPCA é uma das medidas de inflação, existem várias, e reflete o quanto os preços de produtos comuns às famílias aumenta. Em outras palavras, quanto o dinheiro se desvaloriza com o tempo. Quando a inflação está alta, a Selic pode ser aumentada pelo COPOM como forma de controlá-la. Com a Selic mais alta, tende-se a comprar menos, pegar menos empréstimos e, com menos dinheiro circulando, ele retoma seu valor”, afirma Bazan.
Nas projeções divulgadas pelo Boletim Focus, o único a não ter alterações foi o Produto Interno Bruto (PIB) que permaneceu em 0,73% desde o meio do ano.
No início de 2017 as expectativas sobre a Taxa Selic, IPCA e PIB eram de respectivamente 9,25%, 4,87% e 0,2%, porém hoje esses valores segundo o site do Banco Centro do Brasil já são de 7,5%, 4% e 0,73%. Para Vinícius, essa alteração deve-se a perspectiva de mercado que conseguiu retomar um ritmo de crescimento com inflação mais controlada. “Atualmente a Selic está em 7,5% ao ano e deve chegar a 7% se a inflação continuar em queda ou em níveis baixos. De outro lado, se a economia está melhorando, significa também que o país está produzindo mais, movimentando mais dinheiro”, disse o especialista.

Evolução da taxa básica de juros, Selic, em % ao ano. Imagem: Site G1
Para o gerente de unidade de negócios André Luis de Araújo a queda dos números também influencia na crise brasileira e acaba gerando o declínio da atividade econômica em vários setores. “Geralmente um país possui uma atividade econômica principal que faz com que todos os outros setores se beneficiem de uma melhora ou se prejudiquem com uma piora. Isso acontece porque o setor de maior importância tem mais peso no PIB que quando está em recessão, pode ser que influencie na queda dessa taxa e isso afeta as demais atividades também. O que faz que exista um efeito cascata, no qual vários setores sofrem recessão”, explica o gerente.
O estagiário de tecnologia da informação, Caio Ribeiro afirma que observou como a economia afetou o país aos poucos desde 2015. “Eu via comércios locais fechando e alguns conhecidos perdendo o emprego, já comecei a me assustar pois acabava de entrar no mercado de trabalho naquela época e notei a dificuldade em conseguir até mesmo uma simples entrevista de emprego. As empresas não estavam a fim de contratar ninguém e poder perder dinheiro com aquilo. Sempre queriam alguém com experiência na área, mas que não tivessem que pagar muito por isso”, exclama o estágiario.
Através dos números que sofrem alterações de mercado constantemente, segundo Bazan, podemos ser mais positivos para 2018. “Em uma economia mais organizada com inflação controlada, perto dos 4%. A Selic baixa, na casa dos 7%, PIB voltando a crescer e a bolsa de valores se valorizando”. Mesmo assim, ele faz um alerta: “É preciso lembrar que será um ano de eleições e se um candidato de quem o mercado não gosta ganhar força isso pode bagunçar a coisa toda”.



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