O que você precisa saber antes de começar a investir
- Nayara Bolognesi
- 15 de ago. de 2019
- 7 min de leitura
Por Nayara Bolognesi

Ei, investidor,
Hoje eu vim até aqui para contar para vocês um pouco sobre as minhas experiências iniciais com investimentos, e dessa maneira te introduzir nesse mercado simplificando a sua relação com o dinheiro. Vamos desmistificar esse bicho de 7 cabeças.
Nesse artigo, eu pretendo clarear algumas questões e dúvidas iniciais que possam te tornar relutante em começar uma vida de investidor. Nele, eu explico em 6 passos como o mundo dos investimentos não é tão difícil como você imaginou.
PRIMEIRO PASSO
Você sabia que não é todo investimento com rentabilidade verdadeira que necessita de aplicações a longo prazo, certo?
Mais para frente, quero mostrar para você, um simulador bem legal onde se pode testar várias opções de aplicações, valores e período. Facilitando assim, a sua escolha na hora de determinar o tipo de investimento que tem mais haver como você.
Para começar, as perguntas que não querem calar são:
Para que você quer esse dinheiro?
Você pretende se tornar um milionário?
Sua intenção é ter uma reserva de emergência, em casos de desemprego, saúde e dívidas?
Todas essas opções são válidas.
Agora, a questão primordial que eu me fazia antes de começar a investir na prática, era:
"Quantos meses terei que deixar meu dinheiro parado para que ele renda um valor significativo para mim?"
O meu maior desânimo se encontrava nessa parte. Eu achava que para realmente ter algum tipo de retorno através de um investimento, seria necessário esperar praticamente minha vida toda, e na minha cabeça isso não valeria a pena.
Mas, então, através de informação qualificada, eu descobri que esse tempo não é tão absurdo como eu pensava e ainda, existem inúmeras possibilidades e opções de investimento para cada objetivo.
Em apenas alguns meses, seu dinheiro pode trazer muito lucro e rentabilidade para você, dependendo apenas de quais são as suas expectativas com ele.
SEGUNDO PASSO
Agora que você entendeu que em alguns meses o seu dinheiro já pode começar a trabalhar para você e te trazer lucro.
“Como escolho o período correto para deixar o meu dinheiro aplicado?”
Em 3 meses, o seu dinheiro pode render em investimentos bem simples como tesouro prefixado, tesouro Selic, tesouro IPCA+ e outros. Mas, é importante que você reconheça que em um investimento com prazo de vencimento de 5 anos, tem muito mais potencial de rendimento. Felizmente, um não delimita o outro. Isso porque, você pode criar uma carteira de investimentos diversificada.
Suas metas devem estar muito bem definidas nessa parte. Para começar, você precisa determinar qual será o objetivo principal desse investimento após o resgate.
Investir se torna uma tarefa mais simples, quando sabemos onde queremos chegar. Definir suas metas e objetivos é fundamental para planejar suas aplicações.
Qualquer um deles tem um determinado tempo para ser realizado, e aqui quem determina esse prazo é você. Afinal, é o seu futuro que está em jogo.
Você tem várias opções, como por exemplo:
1. Reserva de emergência
2. Férias
3. Educação
4. Automóvel
5. Moradia
6. Aposentadoria
7. Filhos
TERCEIRO PASSO
Aqui começamos com uma dica pessoal: a reserva de emergência deve ser um investimento bônus na sua lista. Vamos entender o porquê em uma situação hipotética:
Você está guardando dinheiro para uma viagem e de repente fica desempregado.
Ter que retirar esse dinheiro reservado para uma viagem e transferi-lo para uma reserva de emergência, não é o sonho de ninguém, né?
Por isso, além da sua principal meta, você deve ter preparada também uma reserva de emergência. Sendo assim, para sua reserva você tem algumas opções como aplicações em bancos digitais e títulos do tesouro com liquidez diária.
Com um valor fixo por mês, você já dá o start na sua vida de investidor. E ainda, os prazos dependem da necessidade da sua emergência, sem te fazer perder de dinheiro. Para alinhar a sua meta com as suas expectativas, você precisa determinar o tempo que esse dinheiro vai ficar guardado.
QUARTO PASSO
Na aposentadoria, um investimento a longo prazo, você pode começar investindo apenas R$50. Algo que possivelmente se gasta em um final de semana de fast food, certo?
Sendo assim, em 26 anos, caso você escolha por deixar esse dinheiro parado embaixo do colchão, em um cofre sinistro da família, ou pior, na própria poupança você estará pronto para se aposentar em 360 meses com R$ 15.450.
Mas, você poderia ter lucrado da seguinte maneira em outras aplicações:

É importante saber também, que a aposentadoria na maioria das vezes é um tipo de investimento a longo prazo. Sendo assim, você não precisa pensar no retorno desse dinheiro agora, mas só daqui a alguns anos.
O mais indicado nesse caso seria um título de maior prazo de retirada. Disponível no mercado atualmente temos o Tesouro IPCA+ 2045.
Ou seja, fazendo a mesma simulação que a anterior, investindo R$50 por mês em 26 anos, você poderá resgatar na data de seu vencimento R$ 37.005,14. Uma diferença de R$ 21.555,14 em comparação ao anterior.
Acho que é melhor que deixar no cofre velho da família, não? Por isso, ao planejar sua meta, você deve determinar primeiro um período.
1 – Defina Metas
2 – Ordene Prioridades
3 – Determine Valores
A seguir, um gráfico que indica as projeções de algumas opções de metas para investimentos. Além disso, nessas metas, está um exemplo de porcentagem em cima de uma renda mensal. Nesse momento você também deve determinar em quantos anos deseja retirar o dinheiro investido.
Você pode usar o gráfico como modelo para se organizar:

Pensando assim, chegamos à conclusão de que ao optar por uma meta, você já deve ter determinado o prazo para cumprí-la e retirar o dinheiro aplicado.Afim de facilitar a sua vida, eu vou dar uma super dica:
Existe um simulador que juntos aos seus objetivos pode projetar: o valor a ser investido, a aplicação e o prazo para atingir a meta desejada?
Você pode fazer inúmeras simulações diferentes e desvendar o seu mundo ideal para os investimentos.
Eu fiz um guia completo sobre como usar o simulador do Tesouro Direto. Além dele ser bastante instintivo e possibilitar a utilização de maneira bem prática, ainda pode te ajudar a tomar as melhores decisões de investimentos:
QUINTO PASSO
Nos passos anteriores, você pode ter sentido falta de uma aplicação muito conhecida ainda pelos investidores mais conservadores: a poupança. Isso porque, atualmente, esse produto não é considerado um investimento por muitos educadores financeiros.
Guilherme Benchimol, fundador e CEO do grupo XP alertou que a poupança pode enganar quem acha que está investindo em algo conservador. Isso porque, para ele, a poupança não é um investimento e sim uma pegadinha. Além disso, ele ressalta o motivo para que os bancos gostem tanto deste produto e explica que a poupança é a aplicação com menor custo para os bancos - mas também rende pouco para o investidor, cerca de 70% do CDI.
Além disso, devemos lembrar do "aniversário", ou seja, o fato do cliente só poder sacar seu dinheiro com intervalos mínimos de um mês se quiser usufruir do rendimento daquele período.
Para Benchimol, o produto [poupança] não teria nem que que existir, porque você que está buscando algo conservador pode comprar o Tesouro Direto Selic ou um fundo DI que renda 100% do CDI e então ganhar mais sem incrementar nenhum tipo de risco.
Ou seja, não faria sentido escolher a poupança ao invés de outros ativos tão seguros quanto ela, porém, muito mais rentáveis. O que falta aos brasileiros é a informação e conhecimento em outros investimentos..
Conheça alguns dos motivos de porque a poupança não é uma opção de investimento realmente rentável:
- Pode render menos do que a inflação
- Dá prejuízo em caso de resgate fora do aniversário
- Congela o seu dinheiro
- Possui uma rentabilidade muito baixa
- Não é versátil
- Taxas abusivas de grandes bancos
Todos esses bens geram impostos e custos mensais com manutenção. Muito dificilmente eles trarão lucros que compensaram o tempo e esforço.
O brasileiro busca comprar um carro e uma casa antes de aplicar em qualquer produto financeiro. Muitas vezes, ele guarda dinheiro na conta corrente o resto da vida para um dia poder dar entrada em um imóvel.
Agora, imagine quantas oportunidades de ganhar dinheiro as pessoas perdem por não ter o básico da educação financeira.
Dinheiro parado é prejuízo!
Nesse contexto, é importante aprender a diferença entre ativo e passivo. Onde o primeiro, é tudo aquilo que traz rentabilidade sem custos, e o segundo são produtos que você após a compra acabam perdendo valor ou gerando custos.
O Brasil não é um país de cultura financeira forte. São rarissimos os casos de pessoas que aprendem o básico do planejamento financeiro na escola.
Mesmo assim, cada vez mais as pessoas estão aprendendo que os bancos não são tão grandes amigos e que a poupança é o pior lugar para se deixar o dinheiro.
De maneira bem simplificada, quero te explicar como funciona a renda fixa. Por isso, vamos começar imaginando um cenário onde você realizou um empréstimo para alguém, que pode ser um banco, uma empresa, ou amigo de infância.
É neste momento que você precisa escolher como quer receber seu dinheiro com valor corrigido.
Eu gosto de mostrar investimentos na prática, geralmente com exemplos reais. Então vamos lá:
Se eu emprestei no dia 21 de outubro de 2015, R$ 1003,40 para o governo, através do Título Público Federal chamado Tesouro Prefixado.
A rentabilidade contratada foi de 16,01 % por ano. Isso quer dizer que se eu mantiver o título até o vencimento em 2021, vou receber 16,01 % ao ano.
Empreste para receber de volta com juros
Outras formas de você receber o dinheiro com valor corrigido é usar a taxa de juros (Taxa Selic) como fator de correção, como acontece com o Tesouro Selic.
Há também formas mistas de fator de correção, como a Poupança (0,5% ao mês + Taxa Referencial) e o Tesouro IPCA (um valor fixo ao ano + Inflação no período).
No caso da Renda Variável, você não empresta seu dinheiro. Você troca seu dinheiro por algum ativo (que pode ser uma ação, um imóvel, um perfume).
Até aqui, acredito espero que tenha sido um bom começo para entender um pouco mais sobre como o mundo dos investimentos não é nenhum bicho de 7 cabeças e que você pode começar a investir com pouco e para diversos objetivos.
Espero que tenha aproveitado o conteúdo! Sinta-se à vontade para compartilhar o link desse artigo com aquele amigo que ainda tem medo de começar a investir com qualidade e segurança.
Ah, se estiver com tempo e tiver interesse, acesse o meu artigo anterior sobre como identificar o seu perfil de investidor para investir melhor.
Até a próxima.



Comentários