Estado Islâmico perde poder no Oriente Médio
- Nayara Bolognesi
- 11 de nov. de 2017
- 3 min de leitura
Operações de combate reconquistam cidades antes tomadas por terroristas.
Nesse sábado uma ofensiva foi lançada pelas forças iraquianas para recapturar Rawa, o último reduto de resistência do Estado Islâmico (EI) no Iraque, deixando o grupo jihadista mais próximo do fim. Recentemente o grupo também fora expulso das cidades de Al Qariatain e Raqqa, o que enfraqueceu o autoproclamado califado.
Cidades que durante muito tempo foram um símbolo da coexistência entre muçulmanos e cristãos no país em guerra foram reconquistadas pelas Forças Democráticas Sírias (FDS).
Para Doane Lemes, formada em ciências humanas, as ofensivas norte-americanas e russas na Síria diminuíram a força do grupo terrorista. “As cidades eram importantes locais de organização do Estado Islâmico. Raqqa era considerada a capital do grupo. Com a retomada das cidades, o grupo perde espaço e recursos para o financiamento do terror no mundo”, disse ela.

Imagem retirada da internet
No entanto, na Síria, os jihadistas recuperaram o controle de Albu Kamal, ao cercar as forças do governo. O Iraque realiza sua campanha final para acabar com o califado. Para a muçulmana e psicóloga Camila Menezes a força que o grupo tem no mundo já é grande demais para poder ser exterminado. “O Estado Islâmico tem pessoas espalhadas pelo mundo todo, o grupo já está disseminado, por isso pode ser que não estejam no foco por um tempo, mas com certeza a probabilidade de voltarem com mais força é grande”, relatou.
Com isso, os presidentes dos Estado Unidos e Rússia acordaram em derrotar o Estado Islâmico. Os governantes assinaram uma declaração na qual assumem realizar esforços para evitar incidentes perigosos entre militares russos e norte-americanos, onde assim permanecerão até à derrota definitiva do EI.

Forças Iraquianas em combate. Imagem: Flicker
Para o professor e historiador, Fernando Cardozo, essa é uma tentativa de preservar os interesses do Ocidente em torno da questão política síria. “Não se pode confundir isso com algum suporte à causa do Curdistão. Nunca vi o Ocidente mobilizado em legitimar a questão defendida pelos movimentos políticos curdos, mas sim, em sustentar o status quo anterior à ascensão do Estado Islâmico”, afirmou o professor.
Os combates para expulsar os jihadistas destruíram grande parte das cidades que o grupo extremista ocupava. Porém, estas vitórias se tornaram muito relevantes para o avanço da coalização contra o Estado Islâmico. Embora sejam cidades que, a esta altura, sejam apenas ruínas, em outros tempos eram centros comerciais e populacionais significativos para a força que as ocupasse.
Mulheres no combate
Auto apelidadas Mulheres das Unidades de Proteção, ou YPJ na sigla curda, brigadas femininas lutam contra os ultrarradicais do Estado Islâmico. Ao deixar para trás casas e famílias, elas colocaram os sonhos a frente do combate e se sentem na obrigação de pegar nas armas e lutar lado a lado com os homens na defesa de seu país.

Mulheres guerrilheiras da YPG. Imagem: Carl Drott
Essas Unidades foram criadas na Síria em 2013, como um braço feminino das Unidades de Proteção Popular (YPG). Afim de aumentar a força humana, novas recrutas continuam a chegar para se juntarem à luta contra os jihadistas do grupo Estado Islâmico.
A psicóloga Camila Menezes diz como essa força é importante para lutar não só contra os radicais mas como em combate ao machismo no Oriente Médio e no mundo. “É um progresso para elas. Vimos inúmeros casos de violência contra as mulheres. As unidades vão garantir a elas os direitos que há séculos não tiveram acesso. Além de reduzir essa agressão contra mulher, aumentando a possibilidade de estudarem e até trabalharem. Isso é extremamente importante para que estas jovens tenham também força para se posicionar ante aos grupos terroristas e à própria população machista”, afirmou a psicóloga.
Em entrevista ao site Sputnik News, a comandante das Unidades Femininas, Nesrin Abdalla, tenta mostrar a importância na luta dessas mulheres em defender o futuro de todas as outras. “A mulher voltou a ser respeitada e valorizada e precisa se conscientizar da sua responsabilidade pelas mudanças no sistema, já que até agora o sistema fora comandado por homens. Hoje se pode ver como as mulheres são ativas na área militar e no plano ideológico.”
As guerrilheiras mostram não sentir diferença face aos homens em termos de contribuição no combate. Enquanto eles usam mais a força física, elas baseiam a sua ação na estratégia, discrição e paciência. No final, os resultados são equivalentes.



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