Do início ao fim
- Nayara Bolognesi
- 5 de jun. de 2018
- 7 min de leitura
Na primeira edição da Catwalk trazemos os pontos cruciais que você precisa saber sobre a história da moda. Do início do século passado até os dias atuais e o que esperar do futuro

Desde o início do século passado temos visto como o mercado da moda se tornou parte do nosso cotidiano de forma incontrolável. Durante esse tempo, muitas coisas mudaram através de grandes influências políticas, econômicas e sociais. Por isso, nessa primeira edição da Catwalk queremos introduzir você, que é interessado por moda em sua história e como ela mudou com o passar das décadas e ainda o que tem por vir nos próximos anos.
Com a ajuda da jornalista Mayara Lobato, conhecedora de história da moda, ex colunista da Revista Vogue, fizemos uma linha do tempo com os principais ícones e momentos importantes da moda durante os anos de 1920 até os dias atuais. Convidamos você para conhecer um pouco mais sobre esse mundo de maneira leve, porém, precisa.
1920

Foto: Site Moda Histórica Blogspot
Com a virada do século, muitos costumes foram deixados para trás e a moda começou a ter uma nova identidade ousando gradativamente. Em 1920, a I Guerra Mundial estava em seu fim e espalhou um sentimento de mudança que afetou também a moda.
De primeiro momento, a silhueta Eduardiana foi perdendo espaço para um modelo mais confortável e consideravelmente “curto” para a época. É nesta época que Coco Chanel começou a criar roupas que fugiam de espartilhos, a moda começou a virar tendência entre a alta sociedade e foi se popularizando rapidamente. Os vestidos apresentavam comprimento nos joelhos, não tinham a cintura marcada e o padrão estético se tornou uma silhueta mais achatada.
Coco se tornou revolucionária e apresentou ao mundo uma visão de liberdade feminina. O “pretinho básico” também nasceu de um vestido que ela criou em 1926 num modelo preto de mangas compridas e gola larga que foi apresentado na revista Vogue, a partir de então o modelo foi copiado incansavelmente e hoje é um ícone.
Para Mayara Lobato, há um grande questionamento de contracultura nessa época, porém, ele acaba perdendo força por entrar em um período entre guerras que surgia. “Esse movimento é muito freado pela situação em que o mundo estava vivendo. É um momento de esperança, porém se entra em um período de muita miséria, de retorno da violência. Então tudo que se viveu nos anos 20, acaba recuando até chegarmos aos anos 60 de novo”, afirma.
1930

Foto: Site Moda Histórica Blogspot
Se na década anterior a moda era leve e apresentava um ar de jovialidade, a partir da década seguinte temos uma quebra deste sentimento e o mundo começa a sofrer as consequências da crise de Nova York.
Apesar da preocupação, a moda tendia ao glamour e as curvas foram redescobertas nas roupas femininas, as curvas voltaram a ser valorizadas e as mulheres voltaram a ter cabelos mais compridos e acessórios mais elegantes como as luvas.
Nessa época o cinema começou a fazer sucesso e Hollywood foi o berço para a disseminação da nova moda. As atrizes como Marlene Dietrich e Greta Garbo eram admiradas por sua sofisticação com vestidos com decotes nas costas, longos e leves.
Mesmo com o glamour, ainda eram tempos difíceis na economia, então as roupas eram feitas com tecidos mais baratos também. Nessa época foram criados os tecidos laváveis como nylon e cetim, também eram usados tecidos
1940

Foto: Site Moda Histórica Blogspot
A década de 1940 é marcada pela II Guerra Mundial e tem como identidade o militarismo. Cosméticos, cabelereiros e tecidos estavam em falta e as mulheres lidaram com a simplicidade e a criatividade que a época pedia.
1950

Foto: Getty Images
Marilyn Monroe foi ícone de beleza nos anos 50 e era dona de um Sex Appeal invejável. Foi uma das primeiras mulheres a usar calça jeans nas telinhas, antes algo visado somente para homens. Além disso a década foi marcada principalmente pelo término da segunda guerra mundial, em 1945.
Uma das principais características da época eram as saias rodadas e extremamente volumosas que marcavam bem a silhueta das mulheres, que também tinham que ser ótimas donas de casa. Já os homens usavam muito jaqueta de couro, calça jeans e camiseta branca, combinação perfeita.
Os filmes em cores eram um dos destaques do momento, isso fez com que o estilo e maquiagem das atrizes de Hollywood viralizasse no cotidiano da mulherada, eis então que um novo modelo da perfeição era estabelecido. Sem contar as vantagens que as indústrias de cosméticos começaram a ter depois dessa novidade.
Foi uma época marcada pelo romantismo, feminilidade e delicadeza das mulheres. Os homens saíam de suas residências e deixavam suas lindas mulheres, arrumadas, bem vestidas e comportadas, cuidando da casa e de seus filhos.
1960
Rock’n’Roll tomou conta dessa época, Elvis Presley, grande ídolo desse momento inspirou os jovens para mudanças no estilo, de comportados para rebeldes. Os rapazes começaram a usar jaquetas e topetes compridos, já as mulheres se vestiam com calças e minissaias. Uma revolução para época onde as mulheres tinham que passar a imagem de recatadas.

Foto: Getty Images
Foi nessa década que a moda unissex surgiu, o smoking por exemplo, foi criado para mulheres por Yves Saint Laurent, em 1966.
A maquiagem continuava bastante presente nos anos 60, olhos bem marcados, porém os lábios deram lugar aos tons mais claros e metalizados. Já os cabelos das mulheres eram mais compridos e com franjas volumosas.
Os Beatles, grande sucesso na época, também influenciaram bastante as vestimentas da época, principalmente no estilo dos homens, usava-se muito paletós sem colarinho, calças com modelagens mais ajustadas, cintura baixa, e cores incomuns para década como o vermelho e o rosa.
Esse período foi marcado pela mudança radical do estilo. Algo que antes era mais recatado se tornou ousado, dando as mulheres um sentimento de libertação.
1970

Foto: Acervo Loja Funidelia
A década de 70 trouxe estampas diversificadas com inspirações vindas da Índia, muita cor e temas psicodélicos ganharam espaço na época. Os famosos hippies tomaram conta desse momento, onde homens usavam roupas mais desalinhadas e coloridas.
As mulheres com suas calças pantalonas, muitos acessórios, faixas na cabeça, cabelo um tanto bagunçado, eram destaque.
Os anos 70 remetia ao romantismo, roupas com estampas de flores e cores da natureza. Apesar da cor caramelo marcar muito na época, também se via bem presente o verde e azul. O principal lema da época era: “faça o amor, não a guerra”.
Essa época foi bastante marcada pela quebra de paradigmas em relação a muitos setores, inclusive no vestuário, como afirma Mayara: “A questão da nudez, de tirar a roupa, de queimar sutiã, eram usados como um movimento em que se questionavam os padrões da época”.
1980

Foto: Site Blogspot
As roupas e as maquiagem dos anos 80 eram também bastante coloridas e extravagantes. Dois dos maiores ícones nacionais dessa década do exagero foram Elke Maravilha e Hebe Camargo. O excesso de brilho e paetê foram essenciais para mostrar o diferencial desse período, tanto nas roupas quanto na maquiagem, assim como explica a jornalista: “Era uma década do exagero, e elas representavam bem isso, as duas até falecerem eram consideradas exageradas, para a década de 80 eram mais ainda.”
Essa época foi marcada pela competição entre homens e mulheres à procura de igualdade no mercado de trabalho. O figurino dessas mulheres era representado por peças de roupas com cintura e cós altos, ombreiras, pregas e drapeados. Os tailleurs eram os figurinos mais usados por essas mulheres, pelo simples fato de oferecer uma aparência poderosa e alinhada para as mulheres que estavam em busca de trabalho.
1990
A moda íntima ganhou destaque nos anos 90 e peças de lingeries foram criadas para serem usadas à mostra em diferentes matérias e cores como forma de libertação e ousadia da mulher.

Foto: Acervo Versace
O estilo Grunge foi o grande destaque na moda e no comportamento dos jovens, principalmente pelo seu estilo com calças despojadas, bermudas largas e peças xadrez.
O minimalismo ganhou lugar nesse período e os homens passaram a usar mais as peças em jeans como peça chave no vestuário masculino.
A moda lançou tendências para atender os diversos tipos de consumidores e para todas as ocasiões. Podemos dizer, que a década de 90 foi marcada pela diversidade de estilo convivendo harmoniosamente, cada um respeitando o estilo do outro.
2000
Nos anos 2000, através de releituras de tendências passadas essa época ficou conhecida por muitos como “brega”. Na virada do século, as celebridades da moda ousavam nas misturas de peças. Para os estilistas na época a ideia era fazer com que as pessoas se sentissem bem com as peças que estavam usando sem ligar para combinações metódicas.

Foto: Site Daily Mail
O mundo passou a viver seu período experimental no início do século 21, tanto nas artes, como na tecnologia e na moda. As infinitas possibilidades de combinações revelam diversão, liberdade e acima de tudo, democratização.
Itens como calças Saint-tropez (cintura baixa), o jeans em quase todas as peças, as calças patchwork, boinas, o estilo “sk8er boi” (peças largas e despojadas, silhueta andrógena e gravatas), blusas cacharrel, conjuntos de moletom e boleros dominaram as ruas, vitrines, passarelas e tapetes vermelhos sem deixar de ousar nas misturas e sobreposições.
2010
Nessa última década, podemos ver inovação em muitos sentidos, mercado de trabalho, mão de obra, tecnologia e sustentabilidade.

Foto: Site Pureopeople
No último evento beneficente do Metropolitan Museum, em Nova York, considerada a grande noite da moda internacional, ícones da moda como a brasileira capa da nossa matéria, Gisele Bündchen, adepta da moda eco-friendly, a modelo investiu em um look Versace sustentável para cruzar o tapete vermelho.
Com isso, podemos notar a crescente preocupação em ter uma visão mais consciente em relação a moda. A chegada da tecnologia e informação de fácil acesso a grande maioria da população fez com que se criasse um questionamento de onde vem as peças que estão no mercado atualmente.
O minimalismo e a reutilização de peças voltaram à tona, como podemos notar através da volta dos brechós e vendas na internet. O futuro só tem a caminhar nesse sentido afim de criar uma moda consciente e funcional.
Texto escrito para Revista Catwalk



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