Uma luz em meio à crise
- Nayara Bolognesi
- 31 de mai. de 2018
- 4 min de leitura
Jovens que encontraram através do comércio de roupas uma saída para escassez de emprego no país
A crise econômica que teve seu início no Brasil por volta de 2014 trouxe com ela um número crescente de desempregados no país. Sendo assim, as pessoas passaram a procurar saídas para conseguir uma renda extra e arcar com as dívidas que aumentaram em meio a essa crise.
Em muitas situações os comerciantes tiveram que fechar suas lojas físicas por conta das dificuldades em manter um local aberto. Junto ao índice de falta de empregos no país, algo em contrapartida cresceu, a criação de lojas e brechós online.
A ideia de comprar e vender roupas usadas já é antiga, mas só recentemente tem sido melhor aceita pelos brasileiros. O número de pequenos negócios varejistas de artigos usados – 75% são brechós – cresceu 10% em 2017, de acordo com dados do Sinac (Simples Nacional). Os grupos de Facebook se tornaram grandes aliados para quem quer divulgar sua loja ou simplesmente vender uma peça que não lhe tem mais utilidade.

Brechó localizado na região da Lapa, São Paulo. “Minha avó tinha...”
Foto: Nayara Bolognesi
Para Grace Sunhog, 24 anos, estudante de jornalismo, essa foi uma boa oportunidade em 2015, quando ela precisou “se virar” para conseguir dinheiro e pagar suas contas em atraso. “Eu estava fazendo uma limpeza no meu armário e me veio a ideia de vender minhas roupas para ter uma entrada de dinheiro e para eu não ficar parada”, afirma ela.
Grace começou a divulgar suas peças em grupos de brechós no facebook, combinava suas entregas no metrô da cidade de São Paulo e fazia sua própria agenda e horário.
Ela explica que não é tão simples como parece, já que segundo ela, lidar com o público online é muito mais difícil do que acreditou que seria. “É um pouco irritante porque ás vezes as pessoas simplesmente somem e voltam depois de semanas querendo a peça que haviam combinado de buscar com você e muitas vezes você já a vendeu”, relatou.
Mesmo com algumas dificuldades, Grace decidiu abrir um brechó físico na garagem da casa de sua tia. Desempregada e com tempo livre, ela juntou alguns cabideiros, araras, e expôs suas peças para o público que passava pelo bairro. A estudante também está sempre em busca de participar de feiras de brechós como os que acontecem na Universidade de São Paulo, USP.
Outra opção para aqueles empreendedores que queriam trabalhar com o mercado de vestuário, mas não tinham condição de manter uma loja física, foi usar da tecnologia que tem forte presença na nossa vida hoje em dia e criar lojas unicamente online.
Sabendo disso, Ana Paula, 24 anos, criadora da marca Achados#96, estudante de publicidade e propaganda vende suas peças através do Instagram desde 2016, mas somente no começo desse ano decidiu elaborar um site para que todas as vendas fossem realizadas através do e-commerce.
Ana afirma nunca ter pensado em virar empreendedora, mas que desde que começou a cursar sua graduação vinha vendendo algumas de suas peças para as colegas de faculdade. “De peça em peça percebi que poderia ser um negócio promissor, mas ainda não tinha criado nenhuma marca específica”, afirma ela.
Foi então que surgiu um projeto promovido pelo Mercado de Criadores em parceria com o Memorial da América Latina em que seriam selecionados 7 estudantes de qualquer área para ter a experiência da venda offline. Sendo assim, ela teve que criar uma marca para poder se inscrever no projeto e foi nesse momento que o Achados#96 nasceu.
Mesmo com o foco sendo majoritariamente de venda online, Ana está sempre participando de eventos, bazares e feiras que dão essa possibilidade da venda presencial que para ela é de extrema importância até para seus clientes provarem sentirem o tecido, e verificarem a qualidade das peças.

Ana em uma das fotos que publica no instagram de sua loja Achados#96
Com o grande aumento de lojas online, principalmente no Instagram, Ana acredita que mesmo com o “mercado saturado”, ela faz a diferença através de inovações. “Podemos perceber e notar diversas lojas de Instagram, mas poucas oferecem um serviço completo e de qualidade com embalagem, entrega expressa, site, nota fiscal, comunicação redonda entre outros fatores”, relata ela.
Tanto Ana, quanto Grace destacam a importância em saber lidar com o cliente através do ambiente online.
Grace diz que através de sua experiência pôde perceber como o cliente quer sempre uma resposta imediata e se não a obtiver logo desiste da peça procurando por outras similares já que nas redes sociais tudo fica mais simples para que essa procura aconteça. “Algumas vezes as mensagens no facebook demoram a aparecer, e quando eu vou checar e responder o cliente não obtenho resposta pela demora”, diz.
No caso de Ana, ela mostra a essencialidade da resposta imediata ao cliente. “Lidar com os clientes através da internet é um dos pontos chave do negócio. Quem compra online quer uma resposta quase que imediata e uma entrega expressa. Quando você consegue unir esses dois fatores ao restante, provavelmente você não terá muitos problemas com seu cliente. Para tudo isso funcionar, trabalho quase que 24h. Um mal necessário, mas que hoje enxergo como diferencial no mercado”, contou.
Assim como no mercado de trabalho convencional, o online tem aumentado significativamente sua concorrência. Fazendo com que se ganhe destaque aqueles empreendedores capazes de mostrar um diferencial.
Texto escrito para Revista Catwalk



Comentários